Lunetas: como elas funcionam – InfoArmas



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Não raro, vejo as pessoas perdidas no meio das especificações técnicas das miras telescópicas, dispositivos ópticos, popularmente, chamados de lunetas. Esse artigo não tem a intenção de aprofundar nesse universo, tampouco esgotar o assunto. E sim, facilitar, ao leigo, a compreensão das características gerais desses equipamentos.

Tal compreensão pode ser útil, por exemplo, na definição das especificações necessárias de acordo com a aplicação almejada, seja ela caça, esporte, lazer ou outro qualquer. Portanto, o texto abordará, superficialmente, a composição das lunetas e a interação entre suas partes. Tentando abranger os principais aspectos técnicos e conceitos ópticos.

Ao final da leitura, espero que todos adquiriram o mínimo de conhecimento necessário para “decifrar” as aparentes complexas fichas técnicas desses instrumentos destinados a ampliar alvos. Para ilustrar e balizar o roteiro dessa conversa, tomarei como referência minha última aquisição de luneta, Vortex Crossfire II 2-7×32 BDC. Na imagem abaixo, ao lado da foto, colacionei um resumo técnico da luneta, publicado pela fabricante em seu próprio site. Aqueles que estão tendo dificuldades em entender o que o quadro diz, leiam o restante do texto.

Foto: Paulo Bedran

A anatomia das lunetas

Foto: Paulo Bedran

Antes de qualquer coisa, precisamos entender a estrutura básica desses equipamentos. Para tanto, faremos um resumo da anatomia das lunetas.

Tubo: é o corpo da luneta. Os diâmetros mais comuns são: 1”, 30mm ou 34mm. O diâmetro do tubo tem uma relação direta com a rigidez do mesmo. Em regra, quanto maior, mais robusto. Tubos maiores costumam ter uma faixa maior de ajuste de elevação, por um motivo óbvio, mais espaço para movimentação do mecanismo. Essa maior amplitude pode ser interessante para os glock“>tiros de longa distância.

Lente ocular: é a lente mais próxima do seu olho. Serve para ampliar a imagem, determinando assim o poder de ampliação. A pupila de saída é emitida a partir desta lente.

Lente objetiva: é a lente frontal, normalmente com diâmetro medido em milímetros. O tamanho da objetiva está diretamente relacionado com a quantidade de luz que permeia o sistema óptico. Em regra, quanto maior, mais detalhes e clareza da imagem ampliada.

Torres: ficam no centro da luneta, são dispositivos de ajuste do sistema óptico em relação ao vento e à elevação. É através das torres que se ajusta o zero. Cada clique representa um incremento em MOA ou MRAD.

Anel de zoom: serve para alterar a magnificação das lunetas com zoom.

Especificações básicas

Foto: Paulo Bedran

Cientes das partes principais que compõem as lunetas, vamos, aos poucos, compreendendo a interação entre elas. Duas informações essenciais: o tamanho da objetiva e a magnificação do conjunto. Do grupo de lentes que compõem esses equipamentos, a lente objetiva se destaca, pois, é responsável por fornecer luz para todo o sistema óptico. Em regra, quanto maior a objetiva, mais clara e nítida será sua imagem.

A magnitude, magnificação ou ampliação representa o aumento da imagem proporcionado pela luneta. Existem lunetas com magnificação fixa, outras com magnificação variável. Essas últimas são chamas de lunetas com zoom.

As características explicadas até aqui compreendem informações imprescindíveis no momento da escolha, elas compõem as especificações básicas de qualquer mira telescópica. A convenção é simples, o “x” separa duas variáveis: à sua esquerda fica a magnificação, à direita o tamanho da objetiva (em mm). Enquanto o sinal “-“ separa a menor magnificação da maior (caso seja variável).

Voltemos à luneta que estamos utilizando como referência, sua especificação é a seguinte: 2-7×32. Então, podemos concluir se tratar de uma luneta com zoom, tendo a menor ampliação de 2 vezes, a maior de 7 vezes e uma objetiva de 32mm. Essa relação entre a magnificação e o tamanho da objetiva é chamada de “exit pupil” e pode ser útil na avaliação do equipamento em relação à sua aplicação. Trataremos desse conceito, com mais detalhes, mais adiante.

Como já compreendemos suas designações quanto à magnitude e tamanho da objetiva, podemos avançar um pouco mais. Existem muitas curiosidades ao redor desse fascinante instrumento óptico. Detalhes técnicos permeiam esse universo, desde a escolha do equipamento, passando pela sua instalação e regulagem, até sua aplicação final.

Montagem

Foto: Paulo Bedran

Por falar em instalação, a montagem de uma mira telescópica, em uma arma de fogo, exige cuidados. O primeiro cuidado deve ser com os anéis de fixação, eles precisam ser compatíveis com o diâmetro do tubo da luneta e com o trilho de fixação da arma. Além disso, os anéis precisam posicionar a mira o mais próximo da arma, cuidando para que a objetiva não toque o cano, tampouco que outra parte móvel da arma esbarre no conjunto óptico.

Para instalar a luneta da foto num rifle CBC 8117, optei por anéis da marca Vortex, para tubos de 1”, perfil baixo, com encaixe para trilhos do tipo “picatinny” (MIL-STD-1913).

Hoje, grande parte das armas longas dispõem de trilhos “picatinny”, porém, ainda são fabricados rifles com trilhos do tipo “dovetail”, com 11mm. Portanto, antes da compra dos anéis, será conveniente saber sobre a arma que receberá o conjunto óptico. Em regra, os trilhos não acompanham as lunetas. Tais anéis costumam ser oferecidos em 3 padrões de altura (baixo, médio e alto), a escolha dependerá das características específicas do conjunto arma-luneta.

Não economize nos anéis! Eles são tão importantes quanto a própria mira telescópica. Anéis de baixa qualidade poderão trazer aborrecimentos, desde problemas na retenção, afrouxando-se com as vibrações dos disparos, até causar dano estrutural à luneta, por rebarbas ou assimetria.

Uso do torquímetro

Foto: Paulo Bedran

Selecionados os anéis, ainda existe um cuidado a ser tomado, dosar a força de aperto dos parafusos. Exatamente isso! Os parafusos, tanto os utilizados na fixação da luneta aos anéis, quanto os usados na fixação dos anéis à arma, devem ser apertados com a força especificada pelo fabricante

Falta de torque pode comprometer a fixação do conjunto e excesso pode danificar a estrutura interna da mira telescópica. Portanto, o torquímetro é uma ferramenta imprescindível a essa tarefa.

Alívio ocular e campo de visão

A luneta que estamos utilizando como referência, traz, em suas especificações técnicas, as seguintes informações: alívio ocular (“eye relief”) de 3,9” (aproximadamente 10cm) e campo de visão (“field of view”) de 42 a 12,6 pés a 100 jardas. Essas informações são de fácil compreensão e são úteis na escolha de um equipamento.

O alívio ocular é a distância da lente ocular de um sistema óptico a um ponto onde o olho do operador pode ver o campo de visão completo. Já tínhamos falado sobre a lente objetiva (localizada na frente da luneta) e agora tratamos da ocular, lente localiza na parte traseira da mira telescópica.

O conhecimento dessa variável é importante na escolha do equipamento. Por exemplo: rifles de alta energia costumam oferecer recuo considerável. Para que a ocular não atinja o rosto do operador, é importante utilizar luneta com “eye relief” longo o suficiente para garantir uma distância de segurança, o que na prática significa algo em torno de 3 a 4 polegadas.

Mas essa faixa não atende a todas as necessidades. Existem armas cuja estrutura posiciona a luneta mais à frente, seja em razão de uma coronha maior ou da própria localização do trilho de fixação. Essas demandam lunetas com distância focal mais generosa, sob pena de comprometer o conforto do atirador e, consequentemente, o desempenho do conjunto.

Para exemplificar, cito as carabinas de ação por alavanca (“lever action”), popularmente conhecidas no Brasil como “carabinas Puma” ou, para os mais antigos, “papo amarelo”. Em regra, a estrutura dessas carabinas obriga a instalação da luneta mais distante do atirador, o que torna as lunetas com maior distância focal (entre 4” e 6”) mais convenientes.

Já o campo de visão é o tamanho da área que pode ser vista através do dispositivo óptico. Está inversamente relacionado à magnificação, quanto maior a ampliação, menor será o campo de visão.

Então, se a luneta em questão tem campo de visão de 42 a 12,6 pés a 100 jardas, isso significa que, se estiver na ampliação mínima (2x), você terá a visão de 42 pés (aproximadamente 13 metros) a 100 jardas (aproximadamente 92 metros). Se na ampliação maior (7x), a visão será de 12,6 pés (aproximada 4 metros).

Por que essa informação é importante? Porque o campo de visão precisa se ajustar à aplicação pretendida. Não adianta uma grande magnificação que restrinja seu campo de visão, se a aplicação pretendida for mais dinâmica, como, por exemplo, quando o alvo pode estar em movimento. Já para uma prova de glock“>tiro de precisão, o campo de visão passa a ser secundário em comparação com a ampliação.

Revestimento das lentes

No manual da luneta de referência consta, também, que a mesma possui as lentes totalmente multi-revestidas (“fully multi-coated”) e, ainda, que a luneta é estanque e seu interior é preenchido com nitrogênio. E para que serve tudo isso?

Vamos por partes. Já tratamos das principais lentes de uma luneta: a objetiva e a ocular. Além do tamanho da objetiva, outros fatores influenciam na claridade e nitidez da imagem, em razão de um vínculo direto com a quantidade de luz que permeia o sistema óptico.

Dentre esses fatores, estão a qualidade do vidro e seus revestimentos. Sim, lentes são revestidas. Mas para que servem esses revestimentos? A principal função dos revestimentos é reduzir o brilho e a perda de luz em razão da reflexão. Os revestimentos são potencialmente capazes de melhorar a transmissão de luz e permitir maior nitidez da imagem, fidelidade das cores e melhor contraste.

Quanto ao revestimento, as lentes podem ser do tipo:

. “Coated”: um revestimento em uma das faces

. “Fully coated”: um revestimento em ambas faces

. “Multi coated”: mais de um revestimento em uma das faces

. “Fully multi coated”: mais de um revestimento em cada uma das faces da lente. Teoricamente, é a solução mais eficaz, por oferecer a melhor transmissão de luz e as imagens mais brilhantes

Por que digo teoricamente? Porque a eficácia dependerá da qualidade dos materiais. Na prática, não raro, encontramos lentes “coated” melhores que algumas “fully multi coated”, pois, o sucesso da receita depende, também, da qualidade de seus ingredientes.

 E por que preencher a mira telescópica com nitrogênio?

Apesar de estanque, uma luneta poderá embaçar em razão de mudanças bruscas de temperatura. Isso em razão da umidade contida no ar, que fica sujeita à condensação. Assim, se o ar for substituído por um gás isento de umidade, como o nitrogênio ou o argônio, previne-se o embaçamento das lentes, independente do clima.

Transissão de luz

Vimos a importância do tamanho da objetiva, na relação desta com a magnificação e a função dos revestimentos. Tudo isso porque quanto mais “clara” for a luneta, maior sua eficácia.

Mas o que é uma luneta “clara”? Apesar do senso comum utilizar o termo captação de luz quando o assunto é mira telescópica, essas não captam luz. Esses dispositivos ópticos apenas transmitem a luz disponível no ambiente.

Por melhor que seja o conjunto óptico, sempre há alguma perda no caminho da luz. Lunetas “claras” são aquelas que conservam a maior quantidade de luz no processo de transmissão. Os métodos de aferição dessa perda são polêmicos e não há um padrão na indústria do ramo.

Já vimos que algumas características técnicas influenciam, diretamente, a passagem de luz pelas lentes. Sabemos que quanto maior a ampliação, menor será a passagem de luz e, também, que quanto maior a objetiva, maior será a passagem de luz. Agora vamos aprofundar um pouco mais nesses conceitos.

Pupila de saída

Se dividirmos o tamanho da objetiva pela magnificação, teremos o diâmetro, em milímetros, do feixe de luz que sai pela ocular. Essa medida é chamada, na literatura estrangeira, de “exit pupil” (cuja tradução para o português é pupila de saída). Quanto maior o diâmetro desse feixe, mais brilhante será a imagem.

Tomemos como referência, mais uma vez, a luneta Vortex Crossfire II 2-7×32. Se estivermos operando com magnificação de 2 vezes, a pupila de saída será de 16mm, se estivermos utilizando a ampliação máxima da luneta, o feixe passará a 4,57mm.

E o que dizem esses números?A resposta é interessante. Devemos comparar os resultados da pupila de saída com a dilatação da pupila do olho humano. Num ambiente de claridade normal, nossa pupila varia de 3mm a 5mm de diâmetro. Porém, em situações de pouca luminosidade, pode atingir 8mm. Quanto mais próxima a pupila de saída estiver da dilatação dos olhos, mais claras e nítidas serão as imagens.

Portanto, mais uma informação importante na adequação das características técnicas da sua luneta à aplicação pretendida. A necessidade daquele que pretende caçar ao entardecer pode ser bastante diferente daquele que pretende utilizar a luneta em competições desportivas, em condições ideais de luminosidade.

É fácil visualizar o fenômeno “exit pupil”. Se tiver uma luneta com magnificação variável, ajuste na menor ampliação e segure-a no comprimento dos seus braços. Olhe através da ocular e observe o círculo claro que surge no interior no dispositivo. Na sequência, ajuste para a maior ampliação e repita o procedimento. Perceberá que o círculo luminoso diminuirá. Esse círculo luminoso é a própria pupila de saída.

Foto: Paulo Bedran

Retículo

Foto: Paulo Bedran

Nas miras telescópicas os retículos são a referência para a visada. Os primeiros retículos, do tipo “crosshair”, eram formados apenas por dois finos fios metálicos que se cruzavam, perpendicularmente. O encontro dessas linhas, no centro do elemento óptico, representa o ponto de impacto do projétil.

Mas os retículos evoluíram. Os arames deram lugar a sofisticadas gravações com inúmeras aplicações. Hoje, existem diversos padrões de retículo, destinados às mais variadas atividades, como a caça, o esporte ou uso militar. Arrisco dizer que os padrões de retículo mais populares na atualidade são: o BDC, o Duplex e o Mildot.

Além de servir como mira, os retículos podem oferecer diversas funções acessórias, dentre elas: estimar distância de objetos de tamanho sabido, projetar o tamanho de um objeto à distância conhecida, compensar a queda do projétil, compensar deriva de projétil causada pelos ventos.

A Vortex Crossfire II 2-7×32 tem retículo do tipo BDC. O que isso significa? BDC significa “bullet drop compensator” (compensador de queda do projétil), os retículos dessa categoria se destinam a auxiliar o atirador a compensar a queda do projétil.

Todos sabemos que os projéteis são puxados ao solo durante seu voo, em razão da força da gravidade. Atualmente, todo fabricante de luneta apresenta, em seu portfólio, miras telescópicas com esse tipo de retículo. São populares por conferirem agilidade na adequação às distâncias distintas.

Quando zero minha luneta a uma distância X, em regra, o projétil, a partir dessa distância, tende a cair em relação ao ponto de impacto sabido. Se meu alvo estiver após a distância para a qual meu conjunto foi configurado, o ponto de impacto será abaixo do ponto de visada, em razão da queda proporcionada pela gravidade.

O que fazer nesse caso? Simples, o retículo BDC tem gravações que te ajudam a encontrar nova referência para visada, de forma a compensar a queda do projétil. Vamos a um exemplo prático. Para tanto, observem a imagem abaixo: nela vemos uma tabela de utilização do retículo e, também, a representação gráfica do retículo “Dead-Hold”, marca registrada do retículo BDC da empresa Vortex.

Imaginemos a seguinte situação hipotética. Minha luneta está instalada num rifle 22LR e zerada a 50 jardas. Porém, meu alvo está a 90 jardas. E agora, o que eu faço? A primeira coisa a fazer é consultar a tabela. Para 90 jardas a queda prevista será de 4”. Portanto, tal compensação será concluída utilizando a segunda marcação abaixo do centro do retículo. Simples assim!

Retículo x Plano Focal

Já que dominamos o conceito de retículo, falta-nos compreender sua relação com o plano focal. No manual da Vortex Crossfire II 2-7×32, consta que a mesma tem seu retículo no segundo plano focal. Sabemos que o retículo fornece a referência da visada, mas por que importa saber em qual plano focal ele está localizado?

Vamos lá! Primeiro precisamos ter uma ideia de onde estão esses tais planos focais. A grosso modo, podemos simplificar dizendo que o primeiro plano focal fica próximo da objetiva, enquanto o segundo fica próximo da ocular.

Em se tratando de miras telescópicas com aumento variável, quando o retículo fica próximo da objetiva, este aumenta junto com a magnificação. Ou seja, as linhas que compõem o retículo crescem à medida que se amplia a imagem.

Isso permite que os retículos balísticos sejam usados em qualquer ampliação, porque os incrementos da medição, MOA ou Mrad (subtensões), manterão a proporção e continuarão precisos. Mas essa opção tem um inconveniente, em regra, os retículos dessa categoria deixam a desejar em alguma faixa de ampliação.

Se é visível e nítido na menor ampliação, costuma ficar exageradamente grande na maior, podendo cobrindo o alvo. Em regra, quando adequado na magnificação maior, fica pouco visível quando na menor ampliação.

Já nos projetos onde o retículo está no segundo plano focal, as linhas do retículo não variam com a alteração da magnificação. Porém, as funções de estimar distâncias, compensar quebra de projétil, dentre outras, só funcionam numa ampliação específica. A utilização dos mesmos noutras ampliações, carecerão de ajustes.

Paralaxe

De acordo com a Vortex, a luneta Crossfire II 2-7×32 tem paralaxe ajustado para 100 jardas. E o que isso significa? Primeiro precisamos compreender o fenômeno paralaxe.

Já conhecemos, ainda que superficialmente, a anatomia das miras telescópicas. A lente objetiva é responsável por formar a imagem real no plano focal da luneta. Quando a imagem se sobrepõe ao retículo, eles pertencem ao mesmo plano focal, são coplanares.

Quando esses elementos não se encontram no mesmo plano focal, passamos então a estar suscetíveis a um fenômeno óptico conhecido como erro de paralaxe. Uma possível distorção causada pela falta de alinhamento entre o retículo e a imagem.

Algumas lunetas têm o paralaxe definido de fábrica, para determinada distância. Como é o caso da Vortex que citamos no início desse texto. Portanto, já podemos decifrar mais um item de sua especificação técnica. Com o paralaxe ajustado para 100 jardas, podemos concluir que o equipamento está livre de erro de paralaxe quando o alvo estiver a 100 jardas.

Outras lunetas apresentam soluções para tornar coplanares retículo e imagem real, evitando a incidência do erro de paralaxe. Esse ajuste pode ser feito através de uma objetiva ajustável ou uma terceira torre dedicada a esse fim.

O quanto devo me preocupar com isso na escolha de uma luneta? A importância desse quesito irá depender, basicamente, de dois fatores: a ampliação necessária e a aplicação pretendida. Em regra, o erro de paralaxe é significativo em grandes magnificações, a partir de 10x. A maioria das lunetas não possui ajuste de paralaxe, o motivo é o custo-benefício. Para grande parte das utilizações o ajuste de paralaxe é um preciosismo dispensável.

Na caça, por exemplo, possíveis dispersões em razão de um erro de paralaxe costumam não comprometer o disparo. Pois, a área que contém os órgãos vitais (“kill zone”) costuma ser generosa.

Para o uso recreativo (“plinking”), o erro de paralaxe, normalmente, também não é perceptível. Pois, em regra, utiliza-se munição ordinária para esse fim, cujas próprias imperfeições geram dispersões maiores que o próprio erro de paralaxe. Já para provas de precisão, o ajuste de paralaxe pode se justificar.

MOA x MRAD

Existe muita confusão e desinformação ao redor dessas siglas, MOA (“Minute of Angle”) e MRAD (Miliradianos). Ambas são apenas unidades de medida angulares, assim como centímetros e polegadas são unidades de medida lineares. No universo das miras telescópicas, unidades de medida angular são muito úteis, inclusive são necessárias para o domínio das funcionalidades das lunetas.

Vimos que lunetas têm torres de ajuste do sistema óptico, tanto quanto à lateralidade, quanto à elevação. Ajusta-se girando a torre, o giro é segmentado através de cliques.

Valor do clique

O valor do clique é a quantidade de ajuste para um único movimento nas torres, pode ser medido em MOA ou MRAD. O manual da luneta Vortex Crossfire II 2-7×32 traz a informação de que seu ajuste é graduado em 1/4 MOA. Normalmente essa informação está gravada na própria torre. E o que essa informação significa? A grosso modo, significa que um clique irá alterar o ponto de impacto do projétil em 1/4 MOA. Um MOA equivale a, aproximadamente, 1” à distância de 100 jardas.

Foto: Paulo Bedran

Para exemplificar, imaginemos a seguinte situação hipotética: estou querendo zerar meu conjunto a 100 jardas, porém, o ponto de impacto está uma polegada acima do ponto de visada. Para alcançar o zero, bastará 4 cliques em direção à letra que represente “para baixo”, normalmente, utiliza-se U (“up”) para elevar o ponto de impacto e D (“down”) para baixá-lo.

Se a luneta utilizar MRAD, muda-se apenas a medida. Na situação hipotética acima, se minha luneta usasse MRAD e a graduação de ajuste fosse 1/10 MRAD, precisaria de 3 cliques para baixo. Pois, cada MRAD representa 3,6” a 100 jardas. Se quero mover o ponto de impacto 1 polegada, 3/10 MRAD será suficiente.

Considerações Finais

Espero que esse texto tenha cumprido seu objetivo. E que aqueles que chegaram até aqui tenham aprendido um pouco mais sobre as miras telescópicas. Conforme adiantado na introdução, essa conversa passeou, ainda que superficialmente, pelo universo técnico das lunetas, com a intenção de facilitar a compreensão desses úteis instrumentos ópticos.

Reforço que o artigo não teve a intenção de esgotar, tampouco de aprofundar no tema. Para tanto, teríamos que escrever um livro. Mas acredito que foram abordados os pontos mais importantes, a partir dos quais vocês poderão guiar o estudo pessoal.




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